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Passados 7 meses da pandemia gestores não sinalizam valorização aos médicos

O Sindicato dos Médicos de Alagoas distribuiu cerca de 10 outdoors em pontos estratégicos de Maceió, despertando a população para o reconhecimento do trabalho médico, e o descaso dos gestores com os colegas que atendem na rede pública. A campanha fez parte das homenagens pela passagem do Dia do Médico – 18 de outubro -, e ainda pode ser vista por quem transita pelas ruas da cidade.

A sequência de mensagens expostas ao ar livre é, antes de tudo, uma defesa da valorização do trabalho médico, como explica o presidente do Sinmed, Marcos Holanda. “Em momentos de dor, somos aclamados heróis, mas passada a aflição somos tratados com indiferença. Entretanto, damos o nosso melhor o tempo todo, com ou sem pandemia. Apresentamos resolutividade às queixas dos pacientes, mesmo diante de condições de trabalho adversas, como acontece nas unidades de saúde do município de Maceió, e também na média e alta complexidade da rede estadual. Nossa responsabilidade com a vida exige muito profissionalismo. Não podemos errar, daí não medimos esforço para realizar o atendimento, mas falta o feedback do reconhecimento, falta a valorização. É preciso entender que por trás das máscaras, luvas e jalecos existem seres humanos. O médico é cidadão, é pai e mãe de família, tem sentimentos e compromissos para honrar. Não é justo que os gestores nos tratem como maquinário descartável”, desabafou.

Como exemplo do descaso que a classe médica sofre por parte dos gestores, o presidente do Sinmed lembra que Alagoas paga ao médico o menor salário do país. A prefeitura de Maceió, e as do interior, seguem o mesmo padrão irrisório de vencimentos. “Além de ser pouco, nosso salário também está congelado há oito anos em Maceió, que deveria dar bom exemplo, já que apresenta superavit. Os gestores deveriam ter orgulho em manter seus servidores satisfeitos, mas fazem o inverso. Em alguns casos, ocorre até retrocesso, como é o caso de nossa capital. Temos um plano de cargos legitimado pela Câmara, nosso PCC é lei. Ainda assim, é ignorado pelo prefeito Rui Palmeira. Os gestores vivem em desobediência judicial, fazem o inacreditável, mas não pagam o que temos direito”, explicou Marcos Holanda, justificando que a ideia dos outdoors é sensibilizar a opinião pública para o problema.

Segundo ele, como se não bastasse a remuneração aviltante, os gestores públicos de Alagoas (governador e prefeitos municipais) também são recordistas na precarização dos vínculos trabalhistas. “Por lei o acesso ao serviço público deve ocorrer através de concurso, mas tanto na rede municipal de Maceió, como na rede estadual, o que predomina são os prestadores de serviços. Alguns são submetidos a PSS, outros nem isso. A maioria labuta sem nenhum contrato que lhe garanta o mínimo direito, inclusive quando são dispensados são avisados por mensagem de whatsapp. É assim nos postos de saúde, hospitais e UPAS. A terceirização deveria ser exceção, mas virou regra. A resistência ao concurso é grande, e quando os gestores publicam edital para um certame o número de vagas na área médica praticamente não existe”, lamentou o sindicalista.

Uma das mensagens que a população está lendo nos outdoors diz enfaticamente: “Chega de tanto desmando, queremos reconhecimento.” Outra, por sua vez, questiona o que a classe médica recebeu da prefeitura de Maceió como reconhecimento pelas vidas salvas durante o auge da pandemia. E cita pelo menos duas medidas ingratas: a permanência do congelamento do plano de cargos e a novidade do calote no Instituto de Previdência. O presidente do Sinmed ressalta, enfim, que o povo precisa estar ciente de que é importante ter médico satisfeito em fazer parte do serviço público, não o contrário.       

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